Filipenses 2:5-11 contém o que muitos estudiosos consideram a passagem mais teologicamente densa e poeticamente bela do Novo Testamento — o Hino de Cristo. Paulo começa com o mandamento que define a ética cristã: "Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus" (Filipenses 2:5). A mentalidade de Cristo não é meramente um exemplo para admirar, mas um padrão para incorporar. E qual é essa mentalidade? Humildade que desce.
A passagem descreve a pré-existência de Cristo em termos impressionantes: "que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus" (Filipenses 2:6). A palavra grega harpagmos ("usurpação") sugere algo já possuído que se agarra firmemente. Cristo possuía plena igualdade com Deus — toda a glória, honra e prerrogativas da divindade — contudo, não se apegou a elas. Isso é o oposto do orgulho de Lúcifer, que tentou agarrar a igualdade com Deus embora não a possuísse.
Em vez disso, Cristo "esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens" (Filipenses 2:7). A palavra grega ekenosen ("esvaziou") nos dá o termo teológico kenosis. Cristo não se esvaziou de Sua divindade — Ele não poderia deixar de ser Deus — mas esvaziou-se dos privilégios e prerrogativas da divindade. Ele voluntariamente deixou de lado o exercício independente de Seus atributos divinos para viver como um ser humano dependente, em plena submissão ao Pai.
A descida continua: "E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz" (Filipenses 2:8). Cada frase marca uma descida mais profunda: do céu para a terra, da glória para o serviço, da vida para a morte, e não qualquer morte, mas a crucificação — a morte mais vergonhosa e dolorosa que o mundo antigo podia conceber. O Criador submeteu-se a ser morto por Suas criaturas. Isso é humildade além da compreensão.
Mas o hino não termina no túmulo. "Pelo que também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome" (Filipenses 2:9). A descida foi voluntária; a exaltação foi a resposta do Pai. Este é o padrão do evangelho: "qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilhar será exaltado" (Mateus 23:12). Cristo não se exaltou — Ele confiou que o Pai o faria. E o Pai o fez, dando-Lhe o nome diante do qual todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor. O caminho para a glória passa pelo vale da humildade, e Cristo já o percorreu antes de nós.